Há metafísica o bastante em não pensar em nada.


Trecho de conversa esclarecedor sobre porquê as interlocutoras são das minhas amigas, as preferidas.

" - Mas, como pode, uma comer a cabeça da outra quando ela tava sem cabeça?

- Não, não, uma come a cabeça da outra, mas a outra não come a da uma.

- Ah, tá. "



Escrito por izadora_x às 19h49
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A morte são os outros.

Talvez porque eu ainda esteja trancada em casa, dormindo quatorze horas seguidas, tenho a urgente necessidade de não me sentir tão alienada do mundo.

Não é novidade para ninguém que o sumo pontíficie bateu as botas. É engraçado como todos agem como se ele deveria ter vivido mais uns cem anos, quando todo mundo sabe que ele já tava no segundo tempo da prorrogação da vidinha de santo padre dele.

Fundamentalmente, a única conclusão que me ocorre diante de toda essa situação e da minha própria situação (hiperbólica) de agonia é que, por favor, me deixem morrer sozinha. Deixem eu agonizar, balançar no limite tênue entre essa vida e o nada, perdendo e recobrando a consciência, por mim mesma. Não contem meus suspiros, nem rezem. Dificilmente um pé de página de jornal falará sobre a minha partida desse mundo, e melhor assim.

Nessa época de socos na cara de informação, a mim parece quase uma benção papal conseguir se apagar lentamente sem que isso esteja na página principal da BBC news.

E é tudo que eu quero. In my time of dying, I want nobody to mourn...so I can die easy.

Sumir sem que ninguém se lembre, ou saiba porquê. E, de repente, em um ano ou dois, as pessoas estariam se perguntando se eu realmente existi. Ou então essa é a passagem pra vida eterna: a morte anônima, sem registros, sem certezas.Virar um anjo de Márquez, amarelo, voando quando chega setembro.

Pobre Karol, esticado, exposto, dissecado. Seu nome tão gasto quanto a cara. Suas crenças tão ofuscadas pela luz da tela que eu só consigo dizer: ainda bem que é só um corpo.



Escrito por izadora_x às 13h30
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Pq eu tou doente e nem me ligam

Eu ajo como na tevê, enrolada no lençol, sento-me ao computador acompanhada por uma caixa de lenços. Toco na base da garganta, não consigo nem dormir, e digito. Todos os meus pensamentos mais profundos são interrompidos por um espirro. Sou apenas lenços sujos e a garganta que não deixa a água escorrer livremente. E cadeira desconfortável, e monitor.

Não há nada em mim que eu possa encontrar nos outros. E eu queria ter atitudes que definissem momentos, mas eu não encontro certezas. E é tudo embaçado com mais um espirro, eu sou tão confusa, e todo mundo é tão ausente.

Eu odeio gripes.

 

*Escutando turnmeondeadman.com

**Procurando algo não-acadêmico para ler. Talvez Henry James.

***Assistindo Sex and the City, quarta temporada, lembrando alguém parecido com alguém.

 



Escrito por izadora_x às 11h34
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