A morte são os outros.
Talvez porque eu ainda esteja trancada em casa, dormindo quatorze horas seguidas, tenho a urgente necessidade de não me sentir tão alienada do mundo.
Não é novidade para ninguém que o sumo pontíficie bateu as botas. É engraçado como todos agem como se ele deveria ter vivido mais uns cem anos, quando todo mundo sabe que ele já tava no segundo tempo da prorrogação da vidinha de santo padre dele.
Fundamentalmente, a única conclusão que me ocorre diante de toda essa situação e da minha própria situação (hiperbólica) de agonia é que, por favor, me deixem morrer sozinha. Deixem eu agonizar, balançar no limite tênue entre essa vida e o nada, perdendo e recobrando a consciência, por mim mesma. Não contem meus suspiros, nem rezem. Dificilmente um pé de página de jornal falará sobre a minha partida desse mundo, e melhor assim.
Nessa época de socos na cara de informação, a mim parece quase uma benção papal conseguir se apagar lentamente sem que isso esteja na página principal da BBC news.
E é tudo que eu quero. In my time of dying, I want nobody to mourn...so I can die easy.
Sumir sem que ninguém se lembre, ou saiba porquê. E, de repente, em um ano ou dois, as pessoas estariam se perguntando se eu realmente existi. Ou então essa é a passagem pra vida eterna: a morte anônima, sem registros, sem certezas.Virar um anjo de Márquez, amarelo, voando quando chega setembro.
Pobre Karol, esticado, exposto, dissecado. Seu nome tão gasto quanto a cara. Suas crenças tão ofuscadas pela luz da tela que eu só consigo dizer: ainda bem que é só um corpo.
Escrito por izadora_x às 13h30
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