Há metafísica o bastante em não pensar em nada.


She could have been a poet, she could have been a fool

Depois que os pés aprendem o caminho

é só deixar o corpo seguir.

Os pensamentos fúteis abafados pela música

e os carros dançando no mesmo compasso.

 

Os largos espaços foram feitos

para serem conquistados

pelos olhos

que ao perderem a escala de si

ganham o azul da brisa e o desprendimento do passado.

 

Depois que os pés desaprendem a perder-se

as pernas latejam quando paradas.

Latejam pelo desejo de correr além,

voar além das largas estradas.

 

Os caminhos à beira do eixo são cheios de marrom

e eu vi laranja no céu azulado

meus pensamentos não tem leste nem oeste, nem eixo

são os prédios que deixam laranja no meio-dia claro?

 

São meus pensamentos que correm com os carros

enquanto minhas pernas me deixam pra trás?

eles perderam o fim do verso

e eu perdi vários ônibus, presentes no caminho sem obrigação de lá estarem

 

As paredes da passarela

tiveram tijolos empilhados e quebrados no sentido

de escutar eu cantar

as músicas restritas ao meu ouvido.



Escrito por izadora_x às 15h52
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Procurando, bem se encontra o que dizer...mas as cortinas fechadas desenham sombras sobre as palavras. Corpo estendido sobre o tapete, música entra pelos olhos fechados; antes disso diálogos já eram obsoletos. O homem fazia tudo antes da fala, concluímos outro dia. E a civilização produz a necessidade de camuflar pensamentos. Por enquanto, eu faço isso dormindo. E quando o sol se puser, a janela poderá ser aberta, as palavras poderão ser soltas. Mas aí, eu já não saberei mais procurar o que dizer.

Pra que dizer? As flores sobre a mesa empalideceram o seu vermelho encarnado enquanto eu me escondia da luz. As minhas palavras são rosa pálido pela escuridão. 

As minhas palavras não são. O amanhã não é. E quando for, nem será mais, nem eu serei. Ai, prolixidade que esconde meu vácuo de pensamentos.

"Ao homem foi dada a palavra para esconder seu pensamento" já diria o francês, a ju,  o saramago, o stendhal, eu. Há muito pra soterrar sob mim. Mais do que há em mim.

Mas eu conto, se você deixar, de tantas formas que esgotem a necessidade de palavras.

***



Escrito por izadora_x às 19h09
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You grow me like an evergreen

 

***



Escrito por izadora_x às 16h02
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Salamaleico!!!

 

 

Alguém empresta uma burca?



Escrito por izadora_x às 16h01
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