Há metafísica o bastante em não pensar em nada.


Anseios de Forrest Gump

Eu hoje vou me sentar junto à janela

E lembrar sabores que eu ainda não senti

Sabe a história da menina

Que foi caminhar para gastar todos os suspiros que guardava em si

E para sempre caminha

Esperando o cansaço ser a trégua

Dos sopros que não querem

Parar de se formar nela?

 

Se eu não fosse tão preguiçosa

Eu seria a história.



Escrito por izadora_x às 20h17
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Essa minha vontade de fazer nada, de querer nada de sentir nada -

de ser nada.

Eu estou plantando uma barra de chocolate no lugar da minha massa encefálica. Até o doce amadurecer na minha cabeça, eu me alimento de niilismo.

E se me perguntarem o significado de qualquer das coisas referentes a mim, eu digo que é nada.

 



Escrito por izadora_x às 19h50
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Se eu fosse pura esteta, veria esta pobreza, tão circundante, tão clichê. A mídia é espetáculo, eu sei, da miséria revisitada. Mas o meu ser, humano, assimilação catártica, sente só sofrimento humano, sem significado. E alguns, nem direito ao humano adjetivo têm. São só miséria, sem significado.
Se é pra sofrer, podemos sofrer alimentados?
Eu acredito na dor com dignidade.
(perdão pelo post anteriormente publicado, de sentimentos explicitamnete midiáticos, sem o devido filtro protetor da transcedência opaca.)


Escrito por izadora_x às 09h47
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Quantas metáforas o meio-fio guarda...

Tem essas florzinhas amarelas que nascem ao longo do meio-fio sem calçada. O espaço entre elas e o cimento do paralelepípedo dói, como essa dor que a gente reclama por não doer, quando não tem mais o doer sem razão. Nascem esparsas, as flores limítrofes, terra e asfalto, acariciando os passos de quem insiste em caminhar, pé ante pé, por esse estreito espaço - meio-fio que promete, sem cumprir, a promessa da calçada. Quantas metáforas o meio-fio guarda...

 

Como é esquizofrênica essa avenida cheia de carros. Para pretender-se chegar ao outro lado é necessário, por vezes, levantar a cabeça e ditar, com pedestres passos, o ritmo do fluxo ininterrupto dos bichos motorizados.  

 

 

 

Sentindo-se necessário, surge o mané da direção.

Firme fiel da teoria que as janelas do carro produzem alguma espécie de invisibilidade, placidamente investiga, indicador enterrado, as fossas nasais; como completa o momento, aquela cutucada...



Escrito por izadora_x às 20h16
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