Queria fazer sentido, não só sentir.
Ai, que doeu meu olho agora - a gente só vive através de imagens projetadas? Síndrome da dúvida sobre o que é o real, eu nunca vou acreditar (mentira, há certos momentos em que acredito sim, mas sublimam tão rápido...). Tenho todo o mundo (tenho?) esparramando-se pela Rede - e o que eu queria era um pedaço de grama pra me esticar por cima, feito um cachorro vira-lata. Mas o sol é só um reflexo alaranjado no monitor.
Que que você pensa quando teu olho perde o foco? Pensa em nada, duvido, como as coisas refletidas naquele material que não é nada. Vidro estúpido, feito pra não existir e, de repente, reproduz imagens, explicitando-se em vez de passar desapercebido.
Não, eu não vou me permitir aquela melancolia infinita - quem sabe? Vontade de estar rodeada de gente, e sozinha. Vontade de ser parede de vidro - deixar o mundo passar ao largo. Sei lá, talvez refletir um rosto que não é meu, pronto, vai começar com a história da subreflexão sobre o que é real de novo.
Mas o vidro eu não imaginei, será? Se eu tivesse metido a cara nele, teria-a quebrado; contudo, alguns me diriam que é boa forma de ter certeza da existência concreta, de certificar-me que o vidro estava lá (aí, defini, real em função do concreto; oh, Pessoa, won't I ever stop thinking, thinking, thinking...).
Então, vou meter a cara. Se quebrar, ao menos se sabe que foi real.
Porque transcendência é fuga, os que eu escolhi pra me construir me disseram. E eu quero o mundo, não o reflexo.
Escrito por izadora_x às 18h31
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Como pode o frio entrar pela janela fechada?
Tocava as pessoas com as costas da mão, nunca com a palma.
Não, a palma reservava
para as noites
quando cravava as unhas por sobre a carne da mão fechada.
Crispando os membros durante o sono
não sonha, deseja apenas
derreter-se no frio da noite
para não deixar o edredom quando a manhã chega.
Escrito por izadora_x às 23h18
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