Sabe aquela impressão. Aquela que constantemente pulula da vértebra mais recôndita e recoberta de gordura – aquela impressão de dever...aquela pontada aguda de uma consciência desconhecida, não é a dela, que grita desesperadamente, fazendo vibrar o tambor do tímpano: levanta, há algo em algum lugar que deveria estar sendo feito por você, agora, neste exato momento em que você, estupidamente, contempla o nada e fica chateada por aquele sabe-se lá o quê que nunca se sabe porquê está sempre bem lá. Deveria estar fazendo algo. E não estudar, ou escrever aquele texto, ou ir àquele lugar que nem se tem certeza se querem que ela vá.
Aquele suspiro que vai se amontoando, que vai dizendo, mais um pedaço; e é um pedaço pertencente a quê é uma parte que vai se repartindo e vai se perdendo. Tem certeza que o que quer que seja que ela deveria estar construindo nesse momento se desfarela e se despedaça – porque ela não sabe que o deveria estar construindo – aquilo que mais que tudo deveria saber.
É o medo infantil que sobrevive e subsiste: e se ela decidisse que queria fazer algo da vida dela que ela não soubesse fazer? E se ela não quisesse fazer da vida aquilo que ela sabia fazer? Ah, e o suspiro. Este suspiro na verdade é doença crônica: por acumular demais o ar nos pulmões, esquece-se de como respirar.
Nem sonhar acordada ela consegue. Nem planejar, ou ansiar, ela se espera. Esvaziar a tarde de significado, como quem retira com um balde a água que entra pelo buraco chamando o barco para o fundo do rio, isso sempre soube fazer, e o que sempre fez da sua vida.
Escrito por izadora_x às 17h21
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