Falava alto gritando a angústia que vinha do temor de não ser ouvida; não por ter algo a dizer, mas porque pensava reconhecer sua existência através dos ouvidos de terceiros. Aqueles que também alto, embriagados, afirmavam conhecimentos supostos, gritando que o mundo havia de se entender e que as pessoas haviam de ser mais. Ninguém se ouvia e, na esperança de não ser esquecida pelos ouvidos dos outros, ouvia apenas a própria voz.
O medo de não ser nada daquilo, e o conforto de, talvez, o ser exatamente. A dor calma do talvez. O não entender, mas compreender – é fingimento ou é desejo? O pensar que pode, e depois, pensar além. A lua se recomenda, e, porém, o louvor ao alaranjado luaceiro parece-me condicionamento poético.
O tudo isso, o que não é, esses sentimentos não se reconstroem e nem se explicam – a razão que grita, pelo medo de não ser ouvida, tentando algum espaço; acho que ela grita porque é surda.
Acho que ela grita porque, ao ressoar em sua própria cabeça, sua voz soa melhor.
Um dia eu vou te contar de novo tudo o que eu já disse.
Se eu me puder, o contarei em decibéis economicamente modulados.
Escrito por izadora_x às 13h37
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